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ESCOLA PIONEIRA


«.» «.» «.» «.» «.» EXTERNATO BARTOLOMEU DIAS... Sta. Iria de Azóia
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O ALUNO ESCRITOR



ESCREVER É UMA ARTE
PERENE DE CAMINHAR
É COMO QUEM PARTE
FAZENDO-SE ANUNCIAR!


« O aluno escritor »

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O CURSO DE HUMANIDADES E A HISTÓRIA


Por Helena Lopes, 11º Ano


Sou aluna do Ensino Secundário – 11º ano do Curso de Humanidades (4º Agrupamento). Ao contrário de muitos alunos, não vim para este Curso para “fugir à Matemática”. Sempre fui uma boa aluna a todas as Disciplinas e os meus testes psicotécnicos confirmaram a minha aptidão equivalente tanto para as “Humanidades” como para o “Científico-Natural”. Então porque optei pelo 4º Agrupamento? Os meus professores (principalmente os de Matemática) e alguns meus colegas disseram-me que estava a desperdiçar as minhas capacidades e que, indo para o 4º Agrupamento, estaria a estudar para dona de casa. E, mais grave ainda! Eu fui para “Humanidades” para poder seguir História! História: “o Curso sem saída”, o caminho para o “desemprego certo”, cuja remota saída profissional seria unicamente “dar aulas”. Confesso que pus (e, às vezes, ainda ponho) em dúvida se fiz bem. Afinal, podia ser astrónoma, bióloga ou mesmo médica e ganhar “montes de dinheiro”. Mas não! O meu coração sempre apontou para este caminho. Desde pequenina sempre me fascinaram os Mistérios Antigos e, mais ainda, as suas descobertas. E por isso quero ser historiadora, para viver junto de manuscritos antigos, edifícios enigmáticos e estudar personalidades apaixonantes. E sei que existiram e existem muitos historiadores que vivem bem e são realizados. Tomemos como exemplo o grande Alexandre Herculano, que não conseguiu entrar na Universidade, por problemas financeiros, e que é considerado ainda hoje o primeiro e talvez o maior historiador português. Voltando às Humanidades, e citando Paul Kristeller, “quando os humanistas do Renascimento chamaram aos seus estudos humanidades ou studia humanitatis, tratava-se de um modo seu de realçar que estes estudos contribuíam para a educação de um ser humano digno deste nome e que, portanto, eram de importância vital para o homem enquanto homem”. Afinal, o nosso Curso é bem mais digno e importante do que a opinião geral faz parecer. Já não falo do autismo dos estudantes de Ciências que julgam que “são os maiores” e os únicos que fazem falta ao mundo. Os próprios professores de Humanidades não hesitam em “deitar abaixo” o nosso Curso quando comparado (principalmente) ao Científico-Natural. Todos tratam o Curso como “o mais fácil”. Esquecem-se da maior carga horária, do elevado número de trabalhos que nos pedem para fazer, do maior número de testes, da subjectividade das avaliações (em comparação com a exactidão matemática!) e da valorização (muito mais que nos outros Cursos) da Cultura Geral. Penso que ao mundo fazem falta todos: os economistas, os juizes, os matemáticos, os professores, os biólogos, os arquitectos, os actores, os historiadores... todos! E para isso urge uma valorização, em termos de mentalidade, dos Cursos relacionados com as Humanidades. Porque é que nos fazem crer que um mau aluno de Ciências tem mais probabilidades de encontrar emprego do que um excelente aluno de Humanidades? A ideia de que os maiores cérebros do mundo são cientistas quanto a mim está errada. Se queremos um país apto culturalmente devemos incentivar todas as Áreas e todos os bons estudantes. Santa Iria de Azóia, Novembro de 2002 ** SONHOS Por Joana Carrelha Por que será que não vemos para além da linha do horizonte? Por que será que os nossos olhos não chegam às profundezas dos oceanos? Por que será que não vemos todas as estrelas quando estas lançam o seu resplandecente brilho através dos céus? Por que será que somos privados destas maravilhas? Os nossos olhos só as contemplam quando sonhamos. Só podemos ver para além das barreiras se voarmos para o infinito nas costas de um cavalo alado ou navegarmos num navio encantado a caminho da fantasia e aventura. Afinal as maravilhas por que ansiamos nunca nos foram tiradas. O caminho até elas foi apenas obscurecido, para que quando, finalmente, as alcançar-mos possamos ficar satisfeitos. Satisfeitos por termos descoberto um grande tesouro, um dos muitos e muitos caminhos secretos até às maravilhas impossíveis. O nosso caminho. Através dos nossos próprios sonhos construímos uma ponte para além dos limites da imaginação. Ficamos livres para correr com o vento, competir com as águas correntes, passear com a Lua, conversar com o Sol, brincar com as estrelas, dançar com o fogo e ir até aos confins do Universo com um salto das nossas próprias pernas. Nos nossos sonhos nós somos nós, o nós que sempre fomos e sempre quisermos ser.


Joana Carrelha, 16 Janeiro 2005


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MADALENA E ANÍBAL


Por Joana Carrelha


Um cruzeiro pelo Pacífico sempre soara uma ideia fantástica para as férias – e, naquela agradável manhã, um pequeno passeio de escaler para uma pescaria inocente soara ainda melhor (mesmo sendo totalmente contra às regras impostas pelo próprio capitão). Madalena, rapariga independente e desenvolta, idealizara a escapadela, sugerira-a ao seu companheiro Aníbal e, concordada por ambos, esta foi posta em prática sem qualquer demora. De narizito empinado, cabelo curto cor de mel, como trigo ao sol no pico do Verão, coberto por um chapéu de palha com uma fita de seda verde atada e cana de pesca em riste na mão, escapuliu-se furtivamente do camarote e ultrapassou, com natural ligeireza, o grupo de turistas internacionais, concentrados na proa, de binóculos esborrachados de encontro às órbitas, com ânsia de avistar algo mais na imensidão marinha que umas quantas gaivotas e ondulação suave – baleias das profundezas para os graúdos e talvez uma família de golfinhos para satisfazer as delícias dos mais novos. Atrás de si, Aníbal, silencioso, saltitando a passadas largas. Uma bojuda sombra cor de cinza brilhante, bigodões macios nas bochechas bolachudas e preguiçoso piscar de enormes safiras vítreas, também ele todo contente com a cesta da merenda dependurada das presas afiadas, recheada de água fresca, pão, fruta, queijo e, é claro, não podendo ser esquecidos, os seus petiscos favoritos: uma latinha de atum e ainda outra de pasta de salmão. Era, com certeza, um gato mimado e molengão, mas muito mais que um animal doméstico, que uma simples companhia, era um fiel e inseparável amigo. A superfície da água estava calma e reluzia, ferindo a vista desprotegida. Foi imprudência afastarem-se tanto do navio, sem avisar nenhum dos membros da tripulação, mas quando se é jovem – de ideias fixas e cabeça preenchida de sonhos de aventuras memoráveis – ignorar a razão torna-se algo inconsciente e incontrolável. Os peixes haviam começado a picar, puxando levemente a pequena cana improvisada com material encontrado a bordo, surripiado da copa na cozinha e da sala das máquinas no porão; Aníbal já lambia os beiços, guloso, antecipando um caldinho de caranguejo ou um delicioso peixe assado no forno para o jantar. Mas, infelizmente, as tempestades em pleno oceano Pacífico são rápidas e imprevisíveis e, como inúmeros marinheiros inexperientes à sua semelhança, os divertidos camaradas foram completamente apanhados de surpresa na sua minúscula embarcação de madeira polida. Num abrir e fechar de olhos, o disco solar fora sub-repticiamente eclipsado por nuvens sinistras e o primeiro relâmpago, de um lilás sobrenatural, rachava agora o céu em dois, precipitando-se em queda vertiginosa para o mar revolto, de súbito negro como petróleo puro. Seguiu-se o maior trovão que os ouvidos de ambos alguma vez registaram: um ribombar ensurdecedor que lhes arrepiou a espinha de tal maneira que lhes roubou as delicadas posições de equilíbrio, quase os fazendo tombar borda fora com o sobressalto. Todo o quadro da situação era inacreditável: as ondas levantavam-se a uma altura incrível, saltando com fúria sobre eles, como que os castigando; o vento soprava com uma velocidade e violência tais que parecia desejar arrancar-lhes os cabelos pela raiz, arrastando tudo, incluindo as gaivotas que berravam incessantemente, debandando desnorteadas. Num laivo de lucidez, Madalena ainda tentou segurar os remos e controlar as sacudidelas aleatórias, mas a sua reacção revelou-se demasiado tardia quando testemunhou, horrorizada, as pequenas pás achatadas, estilhaçadas em mil pedaços, boiando irremediavelmente ao sabor dos remoinhos. O escaler não aguentou muito mais que os seus pobres remos, e tanto rapariga como gato em pânico foram eventualmente obrigados a mergulhar nas águas gélidas, transformadas de uma acolhedora calmaria numa incompreensível crueldade. Quando tempo durou toda a assustadora peripécia? Algures entre alguns breves minutos e algumas longas horas – ninguém sabe dizer ao certo, nem mesmo os intimamente envolvidos. Foi um estranho sono, repleto de fragmentos confusos, imagens distorcidas pela ondulação enjoativa e pelo insuportável calor que sucede os temporais tropicais. Rodeados de pranchas de madeira flutuantes, enormes folhas de palmeira e variados destroços desconhecidos, Madalena e Aníbal foram lentamente levados à baía de águas límpidas que emergia no horizonte próximo. Enfim, jazendo na areia branca e fina como farinha, despertaram. Engasgando-se a princípio com reflexos involuntários, sentiram o ar penetrar repentinamente nos pulmões, sugando-o depois em golfadas sôfregas. Lábios inchados, olhar desfocado, têmporas latejantes, vómitos crescentes e corpo dorido – um sem número de mazelas temporárias, algumas mais tarde cicatrizes, dolorosas testemunhas de uma exaltada jornada marítima. Observando boquiaberta, tentando em vão absorver todos os aspectos da paisagem, a jovem seguiu pelo canto do olho os movimentos do seu gato: um pulo desajeitado, um indolente arrastar de patas pesadas; afastando-se do mar, criando um trilho incerto pela areia, ao subir à praia. A silhueta do animal foi-se desvanecendo até desaparecer por completo, fora do seu alcance ocular. Também ela pulou, abanando a cabeça, sacudindo o seu estado de letargia incrédula e galgando no encalço do seu felpudo companheiro. Foi então que algo anormal se evidenciou, bem ao centro da praia – algo ridiculamente anormal, cómico até, naquelas circunstâncias. Aníbal partira em busca de uma situação mais confortável e em toda a verdade encontrara-a, bastante além das suas expectativas. Ronronava alto, rebolando satisfeitíssimo num enorme sofá coberto com uma capa de veludo negro e franjas adornadas com pequenos e delicados búzios e conchas de cores e feitios pitorescos. Após novo momento de paralisia, Madalena esfregou os olhos com as palmas das mãos suadas e piscou-os copiosamente, o seu cérebro recusando aquela imagem tão absurda; mas impossível? Não. Já lhe tiniam os ouvidos, ardia a vista e ainda lá estava o sofá – quieto, maciço e… com algumas coisas, irreconhecíveis à distância, amontoando-se a seu lado ou em cima das suas almofadas. Curiosidade, desconfiança, receio, excitação – um turbilhão de sentimentos envolvendo todos os sentidos, o que se traduziu numa inevitável necessidade de investigar. Restabelecendo a ligação entre ideia e acção, readquiriu poder sobre os membros inferiores e dirigiu-se àqueles estranhos objectos, tão deslocados naquela bela baía, numa ilha perdida, em pleno oceano Pacífico. Eram coisas simples; simplesmente perfeitas na sua simples perfeição. Um cavalete e palete de ébano; telas de papel branco marfim, copos com penas afiadas, lápis, carvões e pincéis de todos os tamanhos; tinteiros de um azul profundo; e uma miríade de frascos, jarros e boiões contendo óleos, tintas, aguarelas e guaches de todas as cores imagináveis, muito além do arco-íris. Mais que tudo isto, empilhados aos pés do sofá, estavam incontáveis resmas de papel e pergaminho. Folhas soltas semienterradas na areia e cadernos de variadas larguras, comprimentos e espessuras – tudo completamente em branco. Mas havia um em particular, que se destacava pela sua extravagância: uma espantosa encadernação de couro curtido, incrustada de pérolas e enfeitada com penitas de papagaio, possuindo como fecho o que aparentava ser um genuíno dente de tubarão enrolado numa guita. O estimado diário de um qualquer experiente flibusteiro? Ou, talvez, infeliz náufrago? A verdade é que aquelas páginas tinham um apelo diferente. Madalena poderia até jurar que emitiam umas certas vibrações, uns suaves bramidos, murmúrios crescentes que cada vez mais se sobrepunham ao já exagerado ronronar de Aníbal. Tomaram a sua audição por completo – “Somos tuas… Usa-nos a todas… Usa estes instrumentos e dá largas à imaginação! Sê livre! Cria o teu próprio mundo, já que abandonaste o outro de espontânea vontade.” – Uma breve pausa da rouquidão gutural do mais profundo abismo, do mais ameaçador tritão; mas também do mais melodioso e envolvente canto de ingénua sereia. A pobre rapariga apenas franziu a testa em sinal de incompreensão e a voz prosseguiu. – “A tempestade… nada acontece por acaso, aqui, na Ilha da Liberdade. Se o mereces, tudo o que o teu puro coração revela é concretizado pelo Cume dos Desejos.” – O som começou a esbater-se no interior da sua mente aturdida por aquelas assombrosas afirmações, até que houve uma estranha mudança na brisa que soprava do mar, e tudo ficou mudo. Seriam reais? Ou apenas subproduto de uma das muitas pancadas na cabeça durante o desastre do seu frágil batel? Estaria já a enlouquecer? Assim tão rapidamente, sozinha com um gato preguiçoso como solene companhia? De uma coisa tinha a certeza: escutar vozes sem corpo nunca fora prova a favor da sanidade mental de um indivíduo, estivesse ele onde estivesse. Se ao menos tivesse alguém consigo que lhe pudesse comprovar a existência dos tais sussurros… E, então, naquele preciso momento, deu-se outro acontecimento extraordinário: um braço moreno ergueu-se num aceno amistoso, e ao subir a parai, tornou-se visível o imponente e bronzeado tronco nu, pontuado por sardas caramelizadas, do rapaz mais encantador que Madalena alguma vez vira na sua vida. Aproximou-se, descalço, ostentando apenas umas bermudas brancas esfarrapadas e, ao pescoço, um colar de pequenos tesouros marinhos. – “Também o meu nome é tua escolha.” – sorriu um sorriso ofuscante, passando o seu rústico colar pelos curtos cabelos da jovem enfeitiçada pelas carícias das mãos de alguém que só poderia ser fruto da sua imaginação, uma miragem causada pelo excesso de calor e sede. Mas a miragem agarrou-lhe firmemente pela mão e com uma risada doce e infantil, isenta de qualquer julgamento, preconceito ou malícia, conduziu-a numa corrida frenética, ambos descalços pela areia molhada à borda d’água, partindo em exploração da ilha e seus infindáveis segredos ocultos. No meio da agitação, Aníbal levantara-se do seu fastio. Ainda apanhou de relance o brilho no olhar da companheira; piscando-lhe uma das suas safiras amêndoadas, num terno gesto de cumplicidade, e arreganhando os caninos afiados ao enérgico recém-chegado. Sorriria pela renovada felicidade da sua querida amiga, que acompanhara desde cria reguila? De repente, e sem qualquer aviso prévio, um esplêndido atum prateado caiu do céu, aterrando com uma pancada seca nas almofadas do sofá aveludado, ao lado da bojuda bola de pêlo cinza, de dorso tigrado e bigodões macios. O animal, sobressaltado, contemplou o apetitoso peixe, inclinando de seguida o pescoço para a imensidão placidamente azul acima das suas orelhas espetadas em alerta máximo. Seguiu-se uma sardinha bem fresquinha, igualmente reluzente de frescura… E mais uma… E outra…


Joana Carrelha, 11º , 2005


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« EU E O 25 DE ABRIL »


Andreia Ribeiro, do 9º Ano B


Como só nasci em 1989, o pouco que sei do 25 de Abril foi o meu pai que me contou. O meu pai viveu o 25 de Abril e afirma que foi um momento único, um momento de liberdade e de festa para todos. Pelas suas opiniões devia ter sido espectacular e só foi pena eu não ter sido testemunha desse dia. Para dizer a verdade eu gostava de ter vivido esse dia... mas só esse. Porque, segundo testemunhos credíveis, os dias , meses e anos anteriores, isso não, obrigado ! Pelos vistos esses tempos anteriores ao 25 de Abril terão sido horríveis e dignos de serem esquecidos e nunca mais desejados. Só o facto de um país inteiro ter vivido como se estivesse numa prisão, deixa uma pessoa com a raiva à flor da pele. Não se podia falar nem sequer emitir opiniões contra o governo... seria injusto e, segundo o meu pai, era uma situação desesperante e até certo ponto de cariz mórbido e desumano. Por assim dizer ... dava a ideia que os portugueses viviam presos entre duas ou mais fronteiras, controlados a cada segundo, a cada minuto e a cada hora. Nem na nossa família, segundo parece, se podia confiar. Porque se dizia que a própria P I D E estendia os seus tentáculos para dentro de cada lar. Além de desumano era injusto, indecoroso, e daí à desonra era um pequeno passo, na via da destruição. Que tristeza ! Eu não sei se conseguiria agoentar a ideia de desconfiar que tinha um traidor na própria família ou dentro de casa. As duas coisas que eu mais prezo na vida. Se isso acontecesse acho que seria para a minha pessoa o próprio fim. Ainda quanto ao 25 de Abril tenho a dizer que eu gostaria de ser um daqueles soldados que libertaram o país e o povo. Acredito que todos os soldados que estiveram naquele dia na linha da frente - isto é - que deram ou arriscaram a vida pela conquista da liberdade hoje devem sentir-se orgulhosos do seu dever cumprido. Eu, no lugar deles, sentir-me-ia herói ! Mas, na impossibilidade de me sentir na pele de um soldado, ao menos gostaria de ter estado lá bem no meio do fogo da acção - no Largo do Carmo - onde o velho império salazarista caíu e onde nasceu um País Novo. Teria sido de igual modo uma alegria inesquecível !


Andreia Ribeiro, do 9º Ano B


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SANTO ANTÓNIO DE LISBOA


(Lisboa, 1195 - Pádua, 1231)


Pesquisa e arranjo de Tânia Paiva


Foi um frade franciscano e Doutor da Igreja português. Santo António, de seu nome Fernando de Bulhões – nome que lhe é dado pelos seus pais – terá frequentado as primeiras letras na escola da Sé de Lisboa, em cujas proximidades nasceu. Ele era muito extrovertido e traquinas, em criança. Conta-se que o seu passatempo preferido era ir esconder-se para junto dos fontanários e esperar lá pelas raparigas dos bairros típicos de Lisboa que iam com suas cantarinhas à água. Ora, o traquinas, atirava com pedras às cantarinhas que estavam a encher, partindo-as. Depois, divertindo-se, fugia pelas ruas. Mas um certo dia uma das raparigas, mais afoita e tão reguila como ele, foi atrás dele e agarrou-o ameaçando que o levava ao seu austero pai. Ele, chorando diz-lhe que está arrependido e, pedindo-lhe os cacos do cântaro que ele partira juntou-os e – reza a lenda – voltou a compor o cântaro, para espanto da rapariga. Entretanto ele desapareceu e foi-se refugiar no mosteiro de São Vicente, onde os frades gostavam muito dele e o protegiam da ira do pai. Mas, mais tarde, o seu próprio pai foi lá buscá-lo. Só que os frades disseram-lhe que ele ficaria lá para ser também futuro frade. O pai, apesar de indignado com esta rebeldia, lá acabou por condescender e deixou-o entregue à sorte, isto é, àquela vocação meia compulsiva. É assim que Fernando abraça a vida religiosa e se prepara para os seus rigorosos e aturados estudos. A educação e formação que recebeu foi notável. Ele começa por tornar-se frade Agostinho mas todavia quis o destino que viesse, por força das ordens de então, a mudar de nome e de Instituição. Ainda não tinha vinte anos e há notícias dele em Coimbra, para onde se mudou para se dedicar aos altos Estudos Universitários no Mosteiro de Santa Cruz. E é aqui que é ordenado sacerdote. Em 1220 torna-se frade franciscano no Eremitério de Santo Antão dos Olivais, de Coimbra, tendo adoptado o nome de António. Foi aqui que teve conhecimento da vinda para Portugal dos restos mortais de frades franciscanos, martirizados em terras de missão, em Marrocos. António, ficando impressionado com a coragem destes seus irmãos de vocação, desde logo se propôs a ir também para terras de missão. Parte assim para Marrocos em missão apostólica. Contudo, ao chegar a África e não aguentando os rigores do clima e das viagens desse tempo adoeceu gravemente e, mais uma vez o destino, mudou toda a sua vida. De regresso a Portugal, com a força dos ventos e das marés, o navio rumou para o Mediterrâneo e, em breve tempo, achou-se são e em terras de Itália. Os primeiros contactos com seus irmãos de religião – ainda era vivo São Francisco de Assis – foram discretos e humildes. Mas muito cedo o acaso vai fazer dele um fenómeno de notoriedade. São Francisco convoca-o, em 1221, para o Capítulo Geral da Ordem. E é logo ali que revela os seus talentos de orador a pregar perante os seus confrades e de tal maneira cativa São Francisco que este o convida a ensinar Teologia nas escolas franciscanas. Por força da História da Igreja do Ocidente e das graves crises de identidade vai ser o papa de Roma que o vai nomear como a voz oficial da própria Cristandade para que, diante dos heréticos do sul de França – os Albigenses ou Cátaros – e dos incrédulos cristãos europeus seja ele a traçar as vias da fé e das verdades dogmáticas que era urgente restaurar. É nesta sequência que António surge a ensinar nas universidades de Bolonha, Montpellier e Toulouse. Em 1227 é nomeado pela Ordem Franciscana ministro provincial no Norte de Itália. Já com fama de santo e venerado por todos por onde passava destinou os últimos anos da sua vida ensinando Teologia em Pádua. É aqui, nesta cidade onde é acolhido carinhosamente, que veio a falecer exausto , em 1231. Tão depressa cresceu a fama dos seus milagres que o papa Gregório IX , perante milhares de testemunhos credíveis, não hesitou em canonizá-lo apenas nove meses depois da sua morte – caso único até hoje na história da Igreja – e já em pleno Século XX, em 1946 – o papa Pio XII considerando-o “exímio teólogo e insigne mestre em matérias de ascética e mística” o proclama como Doutor da Igreja, isto é, um dos fundamentais pilares que a suporta.


Tânia Paiva, aluna do 10º Ano


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SÍNTESE BOCAGEANA


Pelas alunas do 11º H:


Joana Melo, Nº 6 Ligia Henriques, Nº7 Inês Alexandre, Nº8


Manuel Maria Barbosa du Bocage foi considerado um dos maiores poetas da sua época, ainda hoje presente na literatura Portuguesa. Filho de José Luís Soares de Barbosa (antigo juiz e advogado) e de D. Mariana Joaquina Xavier Lestof du Bocage, nasceu em 15 de Setembro de 1765 em Setúbal e após a morte da sua mãe em 1775, Bocage foi educado por um mestre que o tratava de forma rígida onde aprendeu diversas vertentes do ensino. Bocage passou 7 anos a estudar ciências em Lisboa e em 1786 embarcou para a Índia demorando cerca de dois anos a chegar ao destino. Foi colocado em Damão, mas voltou para Lisboa em 1790. Foi convidado para aderir à Academia das Belas Artes e em 1971 publicou a sua primeira obra intitulada “Rimas”. A 7 de Agosto foi dada ordem de prisão de Bocage, ficando retido na prisão do Limoeiro até 14 de Setembro de 1797. De 1799 a 1801 trabalhou com Frei José Mariano da Conceição Veloso e faleceu em 21 de Dezembro de 1805 no Bairro Alto. Bocage como poeta lírico apresentava duas vertentes: uma luminosa em que se entrega à descrição das suas amadas e outra depressiva devido à indiferença e traição das mesmas. Como tradutor era pouco conhecido. Devido à sua aprendizagem de latim na adolescência e ser de origem francesa a sua primeira tradução remonta ao ano de 1793 com a obra “Eufemia ou o Triunfo da Religião” originalmente escrita por Arnaud. Bocage era também conhecido como o poeta da liberdade visto que viveu numa época de grande crise económica. Este factor fez com que o poeta levasse uma vida boémia, de fraco convívio com a cidade, apenas frequentando o café Nicola à noite. Devido a sua insatisfação face à sociedade Bocage compôs poemas de carácter satírico contemplando pessoas do regime, tipos sociais e o clero, facto que não agradou obviamente ao poder. Poemas como "Liberdade, onde estás? Quem de demora?", "Liberdade querida e suspirada” demonstram, além de grande beleza estética, a sua mentalidade pautada pelas tendências da época revolucionária europeia. Devido às suas obras satíricas foi preso no Limoeiro, como referido anteriormente, mas foi no entanto o seu pendor revolucionário e libertino que mais preocuparam o poder de então. Por fim falamos do Bocage anedótico. Do seu carácter irreverente saíram graves críticas ao governo e à sociedade. A sensibilidade e ousadia de Bocage juntas numa só fórmula davam origem a episódios de uma mentalidade muito além da sua época, facto que por sua vez lhe proporcionou uma grande legião de admiradores. Devido a esta “fórmula” de sucesso, muitos autores aproveitaram-se de seu nome para serem reconhecidos no Mundo da Literatura Portuguesa. O primeiro livro de anedotas de Bocage remonta ao ano de 1905. A censura perseguiu Bocage durante toda a sua vida todavia a sua existência foi caracterizada de uma resistência a toda a prova, temperada por um espírito humanista digno de realce.


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A MINHA VIAJEM


Por Joana Lopes, 9º C


Estava a viajar sentada num sofá cor de sangue, vermelho, encarnada como a vida e pensava... ... Pensava lentamente na mesma vida que lhe deu cor, por entre colinas, desertos e mares, voei comodamente, sentada no sofá da minha existência. Limões falaram comigo, laranjas contaram para mim e uma carica enferrujada: - ”Acorda, acorda...!” E acordei, o vazio da minha ausência de sonho perturbou-me a vista e nenhuma ideia diferia de toalhas sujas. - Oh, toalhas sujas, e que sujas, preconceitos, complexos, bagagem emocional... E doeu, doeu-me a alma de uma forma que nunca pensei ser possível, bebi água de realidade, ardeu na garganta como litros de gasolina, tentei adormecer mas não consegui, perdi o controle do que desejava, morri, vivi! ...


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FUNDAÇÃO DO REINO DE PORTUGAL


Por Tânia Paiva, 10º H


No tempo das Cruzadas, em que se lutava para expulsar os Árabes da Península Ibérica, houve um famoso cavaleiro de nome Dom Henrique de Borgonha que empenhou a sua vida neste alto desiderato. Para isso colocou as suas armas, homens e bravura, ao serviço do rei de Leão e Castela, Afonso VI. Decorria o mês de Setembro do ano de 1100 da Era de Cristo. Este rei, por reconhecimento dos serviços prestados e agradecido pelos resultados alcançados, ofereceu-lhe sua filha Dona Teresa em casamento e, ao mesmo tempo, deu-lhe a governação e defesa do Condado Portucalense. D. Henrique e Dona Teresa casaram-se e vieram viver para Guimarães, fazendo desta cidade a sede do Condado. Segundo diz a tradição e algumas Crónicas, Dom Henrique continuou dando o seu esforço ao serviço das Cruzadas, como era apanágio naquela época. Estávamos nos começos do século XII – Século densamente preenchido pelas Grandes Cruzadas da Europa Cristã com o objectivo de libertar os carismáticos lugares da Palestina do jugo dos Turcos e Muçulmanos. Tratava-se do grande embate, em torno do Mediterrâneo, entre o mundo Cristão e o mundo Islâmico. Dom Henrique, tal como todos os grandes lutadores cristãos europeus desta época, empenhou-se igualmente neste ideal. Entretanto calhavam a Dona Teresa as tarefas e cuidados do governo do Condado, das quais o próprio Dom Henrique se ia inteirando, colocando-se dia a dia a par de todas as coisas. Há mesmo quem diga que o seu grande sonho era um dia transformar este Condado em Reino e conseguir vir a ser aclamado rei, mesmo que tivesse de continuar a prestar vassalagem ao seu agora familiar rei de Leão e Castela. Por volta de 1110 nasce deste casamento um filho que viria a ser historicamente famoso. Chamava-se Afonso Henrique e, por ser filho de quem era, tratavam-no por Henriques. Este teve, logo de início, uma educação esmerada e o acompanhamento de um célebre aio de nome Egas Moniz. No ano de 1114, o Conde parte mais uma vez para a Palestina numa outra Cruzada famosa mas, ao fim de alguns meses, regressou de lá ferido e doente, tendo morrido pouco depois. Daí que seu filho praticamente nunca o conheceu Mas quis o acaso que alguns anos após – teria ele os seus catorze anos – os acontecimentos do Condado centraram-se à volta da sua pessoa. Surge nas Terras de Entre-Douro e Minho um forte movimento de fidalgos e de cavaleiros a favor da independência do Condado em relação a Leão e Castela. Tanto mentalizaram e incentivaram o jovem Afonso para esta causa que este, tendo-se rodeado de um exército valoroso ainda que diminuto, desafiou a sua própria mãe Dona Teresa para aceitar o seu Projecto. Só que esta, no seu baluarte vimaranense, encontrava-se defendida por um exército de tropas bem preparadas, quase todas de origem galega, comandadas por um tal Conde Fernão Peres de Trava ( que se dizia seu amante...), e não aceitou o desafio do filho. Após algum tempo de impasse e de algumas escaramuças por toda a região, sentindo-se cada vez mais apoiado pela fidalguia de todo o Condado, Dom Afonso declara guerra ao exército de Trava que, para todos os efeitos, era um exército de ocupação. As duas hostes confrontaram-se no Verão de 1128 nos campos de São Mamede, ao largo do famoso castelo que todos cobiçavam. A batalha foi dura e quis o destino que a vitória caísse para o lado das tropas fiéis a Dom Afonso. O Conde galego retirou-se para os seus domínios e Dona Teresa ficou prisioneira do próprio filho que, sem complexos pela vitória alcançada, a mandou encerrar nas masmorras secretas de Lanhoso, lá para as montanhas do Alto Minho. A partir desta altura é declarada em Guimarães a independência do Condado e o príncipe é aclamado por unanimidade rei de um novo Reino Cristão – Portugal. Claro que os combates pela consolidação deste evento histórico ainda se prolongaram por mais alguns anos até que, em 1140 – após a prestigiante campanha de Ourique, contra os Árabes – iniciam-se as negociações entre Afonso Henriques e seu primo Afonso VII, novo rei de Leão e Castela, para um acordo de nível peninsular, tendo em vista o reconhecimento político mútuo. Este foi conseguido, depois de longos e interessados debates na cidade de Zamora, tendo sido assinadas as respectivas Actas no ano de 1143. Por fim e já depois de muitos anos de reinado e de muitas lutas pelo alargamento e consolidação territorial, em direcção ao sul muçulmano – ainda dentro do mesmo espírito de Cruzada – consegue Dom Afonso I o seu reconhecimento como rei, e o do país como Reino, pela declaração escrita do Papa de Roma Alexandre III na famosa Bula Manifestis Probatum, datada do ano de 1179. Com este gesto do Pontífice Romano entrou Portugal, pela primeira vez, no concerto político da Europa Cristã, ficando registado na História como um dos mais antigos do Continente europeu e Dom Afonso I, celebrado para sempre com o cognome de « O Fundador ».


Tânia Paiva


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MULHERES DE ATENAS


Do Texto cantado por Chico Buarque


(Da peça de Teatro de Augusto Boal)


Opiniões críticas de alguns alunos do 10º Ano H - de 2006/07


01 – Alexandra Cristo – “Este Texto Musical demonstra o papel das mulheres na sociedade ateniense. Não tinham qualquer direito de voto ou qualquer participação na vida política. Tinham apenas obrigação de cuidar da casa, dedicar-se aos filhos e aos seus maridos. Em relação a estes tinham de lhes ser fiéis – enquanto eles viajavam e se envolviam por lá com outras mulheres – para quando de seu regresso os terem de volta ... concluindo, a sua vida resumia-se a servirem de domésticas, de educadoras e a terem obrigação de respeitar sempre e sempre a seus maridos!”


02 – Ana Cândido – “Esta música de Chico Buarque elucida-nos bem sobre o papel das mulheres de Atenas e da sua subjugação aos maridos. Estas, tecem seus bordados, recebem de braços abertos os maridos rebeldes, não têm gosto nem vontade, nem defeito nem qualidade... apenas medo. E quando ficam viúvas nem reagem, apenas se vestem de negro. E eles ? Andam por lá, entopem-se de vinho, usam outras mulheres mas, apesar de tudo, sentem sempre saudades das suas próprias”.


03 – Ana Dias – “Esta música fala-nos sobre Atenas, mais propriamente sobre as suas mulheres. Os homens de Atenas vão para fora, para as guerras e outras tarefas, defendendo a sua Cidade, enquanto as mulheres ficam em casa a tomar conta dos filhos, da casa, e rezam aos seus deuses tendo esperança que seus maridos voltem sãos e salvos. E eles voltam, muitas vezes bêbados e esfarrapados, mas querendo receber os carinhos das suas donas, mesmo sabendo elas que eles os tiveram de outras. As mulheres de Atenas, não tendo vontade própria, todavia a sua vida era viverem para seus maridos”.


05 – Bruno Pedro – “A educação e a Democracia atenienses eram muito machistas (pelo menos à luz da mentalidade de hoje) porque as mulheres não participavam activamente na vida política e ficavam em casa a tomar conta da sua família. As «mulheres de Atenas» faz lembrar também aquele poema épico de Homero, referente a Ulisses, no que respeita ao comportamento de sua mulher quando ele esteve fora, na guerra. A letra do Texto tem como base a ironia, porque quando eles dizem «mirem-se...» Eles não querem que as mulheres de hoje se portem como as de Atenas, mas sim se revoltem contra o aproveitamento que os homens fazem delas, por serem o «sexo mais fraco»”.


06 – Carlos Martins – “«Mulheres de Atenas» faz referência à sociedade ateniense do período clássico e a alguns episódios e personagens mitológicas. Faz também alusão aos famosos poemas épicos «Ilíada» e «Odisseia», ambos atribuídos a Homero. Em Odisseia, Penélope, mulher de Ulisses, viu o seu marido ficar longe de casa, período durante o qual ela se portou com dignidade e fidelidade. Mas a sua formosura e seus bens familiares atraíram pretendentes, que julgavam que seu marido estava morto. Ela dizia-lhes que só escolheria o futuro marido depois de acabar de tecer uma mortalha que, no fundo, não fazia questão de acabar. E durante o tempo em que seu marido esteve ausente ela ajoelhava-se, recolhida e pedia, implorando à deusa Atena que lhe providenciasse o retorno do seu amado. Na sociedade ateniense as esposas ficavam em casa e as falenas ( prostitutas elegantes ) eram as companheiras sociais e intelectuais dos maridos... A educação e a democracia atenienses foram feitas apenas para os homens e as mulheres serviam a sua família, mas fundamentalmente os seus maridos. Muitos pensaram que este Texto era muito machista. Mas é absolutamente o contrário. Quando os autores dizem «mirem-se no exemplo ...» , eles sugerem que as mulheres de agora não passam o mesmo que as de Atenas. Eles pretendem que as mulheres se revoltem contra a sociedade machista em que vivemos. Concluo que a letra do Texto está escrita numa base de inteligente ironia, facto que leva a que poucas pessoas a entendam”.


07 – Catarina Mourato – “Este poema-canção descreve-nos a situação das mulheres de Atenas. O exemplo que elas davam para a sociedade, a sua fidelidade para com os maridos, a tristeza ao ver os soldados, seus maridos, embarcarem nos mares cruéis e sem fim. Durante a ausência dos maridos elas ficavam bordando até eles voltarem, criando e educando os filhos para virem a ser mais tarde como os seus pais. Este Texto demonstra-nos como estas mulheres estavam subjugadas a seus maridos não sentindo gosto, nem vontade, nem qualidades e defeitos... apenas um sentimento: o medo. O medo de perderem os seus homens no mar e ficarem viúvas. E quando isso acontecia , nem faziam cenas. Apenas se vestiam de negro, se conformavam e se recolhiam... estas, eram as mulheres de Atenas”.


08 – Cátia Cardoso – “As mulheres de Atenas vivem para os seus maridos mesmo sendo humilhadas e pedindo, até, penas mais duras. Elas sofrem por eles enquanto eles embarcam, deixando-as a bordar e a tratar das crianças. E quando eles voltam procuram nas suas mulheres carícias e prazeres. Chegam a despir-se para eles, quando regressam a casa à noite, mesmo sabendo que eles se embebedam ou são acarinhados por outras mulheres de fora ... As mulheres de Atenas são como que objectos nas mãos de seus maridos. Não têm qualidades, defeitos, vontade, gostos. Apenas têm medo e só servem para gerar filhos. E o único medo que têm é de ficar viúvas muito cedo ou, então, de serem trocadas ou abandonadas”.


09 – Cristiana Baptista – “A letra da música «Mulheres de Atenas» fala-nos das dificuldades das mulheres de Atenas, da falta de liberdade delas e das privações a que estavam sujeitas como, por exemplo, não poderem fazer as suas escolhas...”.


13 – Michael Rita – “As Mulheres de Atenas , para Chico Buarque, são as melhores. Sim, realmente têm alguns valores morais superiores à maior parte das mulheres da sociedade actual… Por exemplo, acho que se um homem ‘batesse’ na sua mulher ela, concerteza, não iria pedir mais. O mais certo era esse indivíduo ser preso por violência doméstica…Concordo com o exemplo das ‘gestantes’ ( mães). Sim, se hoje em dia um filho sai de casa, para ir para longe, para fora do país, as mães ficarão tristes, ou quando infelizmente acontece algum acidente e um filho morre, as mães, e não só, vestem-se de negro ( normalmente para exprimir a dor que têm, ou seja, a perda de alguém que era amado por elas ) … Bem, acho que se as mulheres de Atenas voltassem numa nova geração o mundo seria uma maravilha, mas claro sem guerra!”.


17 – Rita Conceição – “O Texto «As mulheres de Atenas» faz referência a aspectos da sociedade ateniense, no período clássico, e a algumas personagens mitológicas. Geralmente quando os maridos partiam para as guerras elas comportavam-se com dignidade e absoluta fidelidade e teciam grandes bordados para quando eles regressassem. Os autores do Texto inspiram-se na ideologia da Odisseia para chamar a atenção das mulheres que ainda vivem pelos maridos, ao estilo ateniense. Estes autores compõem um apurado trabalho com a linguagem e para o compreendermos teremos de percorrer os caminhos da história. Haverá a tendência de considerar este Texto como machista mas, na minha opinião, todo ele encerra uma profunda ironia, denunciando tudo o que as mulheres não devem fazer”.


19 – Tiago Silva – “As mulheres de Atenas, naquele tempo, viviam para seus maridos, sofriam e despiam-se para eles. E eles eram bravos guerreiros mas, quando se embebedavam, iam agarrar-se a outras mulheres... mas, lá no fundo, com saudades voltavam sempre à noite para as suas amadas. E estas não tinham sonhos, nem gosto, nem vontade, nem defeitos nem qualidades, apenas só sentiam o medo... pois com a morte deles nem reagiam e, pelo contrário, vestiam-se de negro ...”.


20 – Sérgio Simões – “Esta música pretende relatar a vida muito injusta que as mulheres tinham naquela altura. Elas faziam de donas de casa e quando os maridos voltavam de suas viagens tinham a obrigação de cumprir com todos os deveres matrimoniais”.


F I M


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REVOLUÇÃO AMERICANA


«Eu estava lá!»


Contextualizações do 11.º H


1 – Andreia Lopes. “Olá, minha amiga, venho-te contar sobre a Revolução Americana, da qual eu estou sendo testemunha. O que te posso dizer, para já, é que tudo isto acontece quando a nossa colónia se está revoltando contra a Grã-Bretanha …”


2 – Carlos Pinto. “Meu amigo Nuno, enquanto tu, pela força do vento, vais viajando de país para país, eu estou a apanhar a carruagem para Boston. De repente reparo com um grupo de homens armados e fardados, a quem chamam de ‘colones’.”


3 – Filipa de Jesus. “Olá Mamy e Papy … Ah ... e também o meu Bobby. Escrevo-vos para vos contar a Revolução a que estou assistindo. Trata-se da revolta que está ocorrendo entre as nossas colónias e a velha Inglaterra. É que já há muito tempo que se assiste a uma enorme vontade de independência… daí a inevitável guerra. E guerra muito feroz, mas compreensível…”


4 – Joana Marques. “Nem dei conta de que estava a acontecendo uma Revolução. É que nesse dia, aquando da sua eclosão, dormia profundamente… por isso nem me apercebi dos acontecimentos. Para mim o que mais me confunde é haver uma grande discordância entre os que defendem a escravatura e os que querem que ela acabe de vez. Também todos os dias se assiste à má vontade do governo da metrópole contra nós, que estamos lutando pela nossa sobrevivência. Agravam-nos a vida com os impostos e nós, cada dia que passa, mais ansiamos pela libertação da nossa submissão a Londres. Vejam lá que até queriam que nós assumíssemos as despesas militares e que fossem os nossos representantes para o Parlamento… devem estar é malucos!”


5 – Jorge Cá e Sá. “Caro Tomás, estou-te escrevendo esta carta para te contar algumas coisas a propósito de Revolução que está em curso aqui nestas terras. Como sabes vivo em Filadélfia. Olha, vai por cá uma grande confusão. Obrigam-nos à mobilização atabalhoada para a revolta e querem que a gente lute pela independência…Mas, esta libertação tem a sua complexidade: por um lado os colonos, por outro os índios e os espanhóis e, ao mesmo tempo, a questão dos escravos. Quanto a estes não há consenso: no norte, querem a sua libertação mas, todavia no sul, os grandes proprietários não abdicam de manter o privilégio de mão-de-obra graciosa. O que nos vale é que estão vindo para cá muitos voluntários franceses e as coisas parece estarem a tender para o nosso lado. Foi isto o que nos garantiu o meu amigo Washington. Mas, para mim, tudo isto tem sido chocante. Contudo, tenho esperança na nossa vitória, que é como quem diz da vitória dos ideais iluministas do nosso tempo… Em nome da Liberdade aqui vai um forte abraço do teu amigo Jorge.”


7 – Patrícia Gomes. “Nós, colonos de Sua Majestade, estamos fartos da soberania da metrópole. Os nossos chefes mais destacados, desde George até Jefferson, dão-nos o exemplo e assumem-se eles mesmos como combatentes. Jamais poderemos ficar indiferentes. A independência, para nós, é já uma questão de honra. Temos que nos organizar, nem que seja à pressa! É que os nossos amigos franceses já vêm a caminho e o tempo urge…”


8 – Paulo Portugal. “Estávamos a cinco de Março de 1770, em Boston, capital da colónia do Massachussets. Havia gente diversa por todo lado. Uns passavam em marcha forçada. Outros fugiam com o medo dos massacres que as tropas governamentais levavam a cabo por onde passavam, outros escondiam-se das represálias. As autoridades administrativas andavam-nos a pressionar para pagarmos impostos inconcebíveis. E os ‘casacas vermelhas’ vão disparando indiscriminadamente sobre toda a gente. É um caos o nosso dia a dia. Houve-se falar que vêm ai os franceses… mas os boatos só aumentam a confusão…”


9 – Pedro Teixeira. “Era um dia normal como todos os outros. Ouvia as carruagens na rua, as pessoas a falar. Saí para o meu emprego. Muita gente vinha em direcção contrária à minha e, todos em pé de guerra e atabalhoadamente, vinham armados. Escondi-me e, então, presenciei ao longe o resto de uma escaramuça entre soldados armados ingleses e as nossas milícias revolucionárias que, nos últimos tempos, surgiam vitoriosas em todos os embates. Queriam a independência. E nós, povo, apoiávamos com entusiasmo mas, no entanto tínhamos medo da represália dos ingleses. Por isso, ao ver aquela confusão toda, é que eu me escondi logo. Agora, que as coisas acalmaram, podemos cantar vitória pois o sucesso da Revolução em curso está sendo uma realidade.”


10 – Raquel Costa. “Eu, deputada ao grande Congresso, me confesso adepta entusiástica da nossa Independência. Naquela manhã encontrei-me em Filadélfia, com meus colegas de revolução e, logo, ali nos manifestámos ruidosamente em prol da autonomia. Agora, passado um ano e novamente em Filadélfia, demos mais um passo para a vitória final: organizámos o nosso exército e colocámos à sua frente o nosso querido George. Amigos nossos partiram para a Europa com o fim de fazermos alianças oportunas e apoios para a nossa causa e arranjarmos voluntários para virem à Terra que, acreditamos, venha a ser para sempre nossa.”


11 – Rita Matos. “Vou-vos contar uma estória que foi mesmo verídica. Eu estava lá nas colónias quando estas, conjuntamente, se revoltaram contra o governo da metrópole. Os ingleses foram para nós uns autênticos algozes. Fizeram-nos a vida negra e a repressão era o pão-nosso de cada dia. Daí que a luta pela independência, apoiada praticamente por toda a gente, apesar de dramática, tinha um destino histórico traçado e acreditávamos na vitória final. E assim aconteceu. A vitória foi o corolário de uma luta colectiva. Com a ajuda benfazeja dos voluntários europeus nós traçámos o nosso caminho que, agora, vimos percorrendo com entusiasmo.”


12 – Tânia Paiva. “Querida e estimada amiga: até me custa contar como vai a minha vida. Por momentos sinto-me feliz pois aqui, nesta colónia, vejo cada dia que passa consolidada a luta pela liberdade. E eu tenho muita honra de me sentir no grupo de pessoas que combatem por este ideal. Para te contar tudo aquilo a que eu assisto todos os dias teria de te escrever uma carta com quilómetros de extensão. É raro o dia em que não há sangue pelas ruas e as pessoas sentem-se dispostas a dar a vida pelos ideais independentistas. Porque, no fundo, essa é para já a maior das liberdades. Há dias ia eu passeando pela rua e tive oportunidade de presenciar um negreiro a tratar um conjunto de crianças como se fossem animais. Claro, era um comerciante inglês que estava angariando a pequenada para vender lá para o sul. É assim que estes falsos colonos vão conseguindo fortunas colossais. E é por estas e por outras que eu aderi de alma e coração aos ideais iluministas e liberais. Enquanto estivermos nas mãos daqueles sanguinários súbditos de Sua Majestade jamais conseguiremos dormir descansados. Espero que nunca te esqueças de mim e que ai, na Europa, também se levante a mesma chama que a todos aqui consome. Com esta sinceridade e amizade me despeço.”


13 – Tânia Gonçalves. “De Congresso em Congresso até à vitória final. Poderia ser este o lema da nossa luta. Liberdade de comércio, liberdade administrativa e, principalmente, liberdade de iniciativa, são este os grandes objectivos que nós teimosamente perseguimos. Para lá chegar é preciso combater e lutar bravamente pela nossa autonomia e, acima de tudo, pela determinante independência face à arrogante metrópole. Em Filadélfia 3, finalmente, lançamos o grito de revolta e partiremos decididamente para a frente das batalhas que nos esperam. Washington, o nosso herói, de bandeira em punho, conduzir-nos-á à vitória. Acreditamos intensamente que chegue esse dia e essa hora memorável”:


14 – Tiago Justo. “Meu incógnito amigo, escrevo-te esta carta despedindo-me sentidamente, já que não tenho a certeza de te voltar a ver. As polémicas e os conflitos aqui nas colónias são uma constante. E o governo fantoche de Londres quer continuar a engordar às nossas custas. Daí que não hesita todos os dias em nos agravar as condições económicas, com impostos e mais impostos. Quase nem respiramos. Agora até nos querem exigir que paguemos aos soldados que todas as semanas cá chegam para, segundo eles, manterem a ordem e a segurança. Pois podem estar certos que quem não terá sossego serão eles. A tal ponto chegaram as coisas que até nos negaram há pouco tempo que tivéssemos em Londres os nossos representantes. Claro, eles não têm confiança em nós mas, por outro lado, nós jamais reconheceremos neles a boa fé de que se dizem portadores. Pois, desde já o afirmo e garanto, contem com as nossas convicções e com a nossa confrontação. A luta está ao rubro e jamais recuaremos! Eia, pela Liberdade, pela Igualdade e pela Fraternidade: Independência ou morte!”


15 – Sofia Santos. “Aquando da Revolução eu estava em casa. Não me apercebi de nada no momento. Contudo, quando desci à rua é que vi muitas pessoas contando umas às outras o que estava acontecendo por todo o lado. Era a revolta em curso. Uns querendo a liberdade para os escravos. Cá, no norte, quase toda a gente é abolicionista. Querem acabar de vez com a escravatura. São as ideias chegadas de França que estão sendo espalhadas… Mas, pior que isso quanto a nós, o que mais nos tem preocupado e oprimido é a nossa situação perante a metrópole. Estamos cada vez piores. Aumentam impostos, obrigações, sujeições e humilhações. Há só, para nós, uma solução: conseguir uma vez por todas a real autonomia e independência face a Londres. Já que Sua Majestade nos quer fazer passar também por autênticos escravos então que conte connosco que a resposta seguirá dentro de momentos.”


16 – Rui Romão. “Caro primo, já deves ter ouvido falar de tudo o que aqui tem acontecido. Mas, se não estás ao corrente, aqui te mando algumas notícias frescas. Sabes que eu e os da nossa tribo temos estado a observar o que se passa por cá. Não é propriamente connosco esta contenda que, no momento assume foros de dramatismo. Raro é o dia em que não se travem escaramuças entre os combatentes que defendem as colónias e os soldados britânicos que representam o governo londrino. Estes, pelos vistos, cada vez se sentem mais espezinhados e humilhados pelos interesses económicos e financeiros da metrópole. Eles, no fundo, são as primeiras vítimas. Esta questão não nos atinge directamente mas, é certo, que tememos pelo nosso próprio estatuto pois, entre outros ideais, também consta que os de cá querem a libertação dos negros. É um pouco estranho que não defendam também a nossa autonomia. Por isso é que o destino desta guerra pode, quem sabe um dia, atingir-nos a nós próprios. Eu tenho andado num corrupio a alertar os nossos irmãos de raça para esta eventualidade. Se a vitória sorrir aos de cá provavelmente teremos grandes mudanças no quotidiano, nos corpos e nas mentalidades. Oxalá que os nossos divinos ancestrais nos protejam contra o mau olhado, quer venha ele de Londres ou tenha a sua origem nestes Yanques nos quais ainda não temos confiança. Espero que voltes breve. Não tenhas receio. Tua família te espera ansiosamente. Abraça-te, Romão dos Prados.”


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O PODER DA POESIA


Alunos da Turma 11º H / 2007


01 – Andreia Lopes “A Poesia revela um mundo e cria outro e parece não ser muito importante, mas é. O Dia da Poesia existe para desenvolver o ‘ritmo’ que existe dentro de nós ( emoções ). Na minha opinião as poesia não me dizem nada, apesar de «gostar» de algumas delas. Acho, todavia, que as pessoas preferem a poesia do que a prosa, porque a poesia mexe com elas mesmas e faz com que fiquem fascinadas, ou seja, atraídas pela magia das suas palavras”.


02 – Carlos Pinto “A meu ver a Poesia tem vindo a entrar num espécime de extinção, porque a maior percentagem daquilo que se lê é geralmente literatura em prosa. Os poemas genericamente são evocados em declarações a uma terceira pessoa, facto que, à prior, lhe confere um como que fingimento. Quanto a mim prefiro a prosa porque a expressão poética corporiza um texto muito irreal e sentimental, uma espécie de ‘Floribela’, enquanto a prosa veicula já de si uma referência social, quiçá mesmo biográfica”.


03 – Filipa de Jesus “As pessoas não dão à Poesia a importância que ela merece. Segundo a poetisa Sophia de Melo Breyner a poesia revela este mundo e cria outro. Ela é como que uma viagem no tempo. A poesia é para ser dita, partilhada e até dançada. E o Dia da Poesia existe para devolver ‘ritmo’ às pessoas, para lhes provocar um estado de alegria. E depende, acima de tudo, daquilo que se quer ou sente. A Poesia é mágica, consegue levar-nos a estranhos sítios, sítios quase que irreais. A Poesia faz-nos sonhar, chegar mais longe...”.


04 – Joana Marques “A Poesia é muito desvalorizada hoje em dia porque quase ninguém a acha interessante. Ela por vezes é lida, sim, mas não é sentida. Porque cada pessoa tem sempre uma forma própria de ver esta questão. Presentemente lê-se muito mais prosa porque esta constitui uma leitura mais ‘terra-a-terra’. Pelo contrário, a poesia não consegue ultrapassar – como ‘coisa mágica’ que é – o mundo do imaginário”.


05 – Jorge Cá e Sá “O poder da Poesia é o poder de apreciar as coisas. Este poder, para mim, é fantástico quando caracteriza a Natureza. A Poesia, em si mesma, é sempre difícil de interpretar, daí que ela própria tem o condão, por ser imprevisível e altamente simbólica, de ser mais fascinante do que a prosa”.


07 – Patrícia Gomes “O ‘poema’ faz-nos ver que a poesia é uma coisa tão bela que mexe com o nosso interior. Um poeta afirmou que a poesia foi descoberta através da dança e, tal como esta é uma arte, aquela assume toda ela uma dimensão de contornos dinâmicos e artísticos. A poesia dinamiza todo o nosso ser, mexe com as nossas emoções e desperta-nos aqueles sentimentos que se encontram por vezes escondidos em nossos corações”.


08 – Paulo Portugal “A poesia tem aquela força capaz de exprimir e mostrar todo aquele mundo que nos rodeia, a Natureza, o mar, e outras raras coisas que nos tocam. A poesia é uma estética que contém um significado e ao mesmo tempo um ‘poder’: o de desenvolver em nós o ritmo dos sentimentos. Eu parece-me que as pessoas gostam mais de prosa do que de poesia, já que vivemos num tempo que escasseia e no qual não nos resta oportunidade nem ocasião para estarmos com as panaceias, as formas depressivas e exageradas, os incómodos e outros sintomas que tais, aos quais a poesia nos conduz...”.


09 – Pedro Teixeira “A Poesia é uma forma de «libertar os sentimentos» que nos são transmitidos pelas palavras. É desta maneira que podemos aliviar as nossas mágoas ou euforias e ficarmos mais calmos. A poesia manifesta também aquela forma de identificação com o sentido da pessoa humana, naquilo que ela mostra através de um estado emocional específico. Todavia, quanto a mim, em última instância, a poesia não serve para nada. Ela é apenas e só mais uma forma de comunicação, privilegiando quase sempre figuras tristes...”.


10 – Raquel Costa “A Poesia revela este mundo e cria outro. Ela, ao ler-se, ao dizer-se, ao ser partilhada, revela um ritmo muito próprio que contém em si mesma. E é neste ‘ritmo’ que se encontra a essência da poesia, enquanto tal. A poesia exprime aquilo que sentimos, porque ela desperta as nossas emoções. A poesia compromete-nos, naquela medida em que, mesmo quando insensíveis ou esquecidos, ela manifesta um condão muito especial para nos provocar...”.


11 – Rita Matos “A poesia pode parecer que não é importante, mas é. Em si mesmo ela transmite-nos um mundo e gera outro. O Dia da Poesia tem o sentido de criar o ritmo dentro do homem. Enquanto a prosa por si não tem aquela força de mexer connosco a poesia, pelo contrário, agita as nossas emoções e os nossos sentidos de tal forma que nos sentimos mais ‘pessoa’. A poesia tem uma força genuína capaz de arrastar para fora de cada um de nós aquilo que nos vai dentro da alma”.


13 – Tânia Paiva “Qualquer poema, em si mesmo, tem que ser sentido. Dentro da mentalidade mais comum isso não acontece pois que, hoje em dia, as palavras perderam muito do seu valor. Refere o grande poeta Teixeira de Pascoaes que a poesia terá nascido da dança e, tal como ela, tem a virtualidade de ser lida, dita, cantada e, acima de tudo, dançada, isto é, passível de uma dinamização rítmica. E é este fenómeno que lhe dá vida e sentido. Está aqui o segredo da sua magia. A poesia é uma forma de ver a vida. Daí, como conclusão, acho que se deve dar mais valor á poesia, pois esta, mesmo na sua simplicidade, constitui uma ponte que nos conduz directamente ao coração das coisas e de nós mesmos. E que este valor não seja descoberto apenas no Dia da Poesia mas, antes, sempre”.


14 – Tânia Gonçalves “A Poesia é uma espécie de interrogação às nossas próprias dúvidas. Através da palavra ela tende a ser harmoniosa, revelando-nos de uma maneira diferente este mundo e criando-nos um outro. A poesia deve ser dita, partilhada, compreendida e mesmo dançada ou cantada. Ela é multifuncional e mágica. O seu poder, no fundo, está no renascer das palavras que transportam, nelas mesmas, aquela energia capaz de mudar o mundo e a nós próprios. Eu penso que a poesia, sendo uma mistura de emoções, simboliza por si o verdadeiro sentido da realização da pessoa humana”


15 – Tiago Justo “Através da poesia o ser humano consegue expressar os seus sentimentos. A poesia quebra a barreira que existe entre nós, como simples seres vivos, e o mundo dos sentimentos ou emoções. Será ela a fazer, neste contexto, a harmonização que se impõe. No mundo actual, no qual impera a corrupção e a matéria, a poesia já não é sentida. A onda em que navega o homem comum é de uma trivialidade extrema. Por isso poucas são as pessoas que verdadeiramente sentem a poesia”.


16 – Rui Romão “A poesia não é só para ser lida. Ela também terá de ser dita e partilhada. O seu objectivo é o de reencontrar aquele ‘ritmo’ certo do homem. E é pela descoberta das nossas emoções, altamente positivas, que cada um de nós sente o valor real da dimensão poética. Por ela sentimo-nos conduzidos ao mundo da criatividade. A maior parte das pessoas lêem mais prosa que poesia porque são obrigadas por necessidade e, também, talvez por ser mais fácil. A poesia geralmente é um pouco mais complexa e profunda, daí que nem todas as pessoas se sentem à vontade para encararem a poesia com interesse. Quanto a mim a poesia é mais importante que a prosa pois ela mesma comporta uma carga simbólica e, ao mesmo tempo, de uma magia interior capaz de grandes transformações. E para que essa magia se manifeste torna-se essencial um estado de espírito próprio. Ela é, assim, uma forma de arte que todos sabemos mas, muitas vezes, não partilhamos por ser incómoda”.


F I M


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O MUNDO INDUSTRIALIZADO I


« O mundo de hoje diz-se que está dependente quase exclusivamente da Indústria, isto é, é um mundo industrializado»


Ana Neto, 9.º ano


O Mundo está dependente da Indústria, pois a maior parte dos alimentos que consumimos, o nosso vestuário, os produtos de higiene, os nossos objectos, são todos transformados no sector industrial ( secundário ). Sem a Indústria era impossível vivermos. Apesar de ser uma actividade muito poluente, que está a dar cabo do nosso Planeta, é essencial. Todas as máquinas ou satélites artificiais que são enviados para o espaço, é a partir da Indústria. Por exemplo o Sputnik enviado a 4 de Outubro de 1957 – fez há pouco cinquenta anos – foi construído pelos soviéticos. O homem quer utilizar a energia nuclear, mas não consegue, por enquanto, domesticá-la. Pois é uma energia muito perigosa e que pode provocar danos muito graves. A Indústria, além de ser útil para a nossa sobrevivência, dá emprego a muita gente. Mas, todavia, o homem deve saber reutilizar as suas próprias coisas ( vestuário, objectos, etc. ) reciclando-as para não serem desperdiçadas milhões de plantas. Para concluir aconselho a todas as pessoas a aprenderem a utilizar e a trabalhar na Indústria.


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O MUNDO INDUSTRIALIZADO II


« O mundo de hoje diz-se que está dependente quase exclusivamente da Indústria, isto é, é um mundo industrializado»


David Oliveira, 9.º ano


Este corolário pretende dizer-nos que o homem cada vez mais precisa da máquina. Até os alimentos de que o homem necessita são provenientes da Indústria.. Com a Indústria o homem pode controlar quase todas as energias e, neste momento, está iniciando a “domesticação” da própria energia nuclear, através da Indústria, para a utilizar em vários fins. Claro que, se virmos bem, teremos sempre o seu contra. Por exemplo, em Portugal cada vez existe mais desemprego, porque as fábricas necessitam cada vez de menos mão-de-obra. Isto porque a máquina tende a fazer quase tudo aquilo que um homem faz. Por outro lado, quase tudo o que o homem precisa é proveniente da Indústria: vestuário, calçado, papel, etc. Até os seus próprios alimentos em grande parte já vêm da Indústria. Qualquer dia o homem já não precisa de arrumar a casa, cortar a relva, etc, porque vão existir máquinas para fazer automaticamente tudo isso... e muito mais!


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O MUNDO INDUSTRIALIZADO III


« O mundo de hoje diz-se que está dependente quase exclusivamente da Indústria, isto é, é um mundo industrializado»


Joana Gonçalves, 9.º ano


Hoje em dia os produtos que utilizamos no quotidiano são feitos quase exclusivamente pela Indústria. Entre outras temos a indústria têxtil. Nele produz-se a nossa roupa que é indispensável para o homem contemporâneo. Várias indústrias trabalham fundamentalmente para o nosso bem-estar, contribuindo assim para uma boa qualidade de vida. Outras constróem produtos indispensáveis ao dia a dia , fazendo com que várias tarefas fiquem bastante simplificadas. Embora nem tudo sejam boas novas, a verdade é que a vida do homem tornou-se bastante qualificada quando este resolveu apostar na Indústria. Todos os produtos que utilizamos, por exemplo em casa, e que nos facilitam as tarefas domésticas foram trabalhados nesta área. Infelizmente muitas zonas industriais poluem em demasia o meio ambiente. Todavia, o Homem preocupa-se bastante com o seu bem-estar físico e psicológico colocando para isso de parte os problemas com o meio ambiente. A meu ver, e num futuro próximo, deveria adoptar-se alguma forma ou critério prático para que ambos possam viver em harmonia.


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ARTIGO DE HISTÓRIA


« A Questão Colonial Africana »


A Inglaterra tem sido, ao longo de toda a nossa História ( pelo menos desde o Século XIV ), uma fiel aliada de Portugal. Nomeadamente foi durante o periodo das famosas Invasões Francesas que esta Aliança cumpriu totalmente os seus objectivos, isto é, a Inglaterra ajudou Portugal a combater os exércitos Napoliônicos. Todavia, na Questão Colonial Africana de 1890, atraiçoou-nos sem apelo nem agravo não nos apoiando nas nossas políticas internacionais. Argumentando que durante a Conferência de Berlim Portugal chegara atrasado para a apresentação da documentação adequada, da qual se destacava o famoso «Mapa-Cor-de-Rosa», a Inglaterra fez valer as suas reinvindicações da ocupação dos territórios de entre Angola e Moçambique, apresentando um outro Mapa em que indicava como seus esses mesmos territórios. Pois a sua ambição máxima era possuir uma extensa faixa territorial que, ao longo de África, ligaria a cidade do Cabo ao Cairo, capital do Egipto. Então Portugal ficou indeciso perante a alternativa de permitir ou não à sua velha Aliada ficar com esses territórios. A primeira ideia, nos finais dos anos oitenta, era não ceder aos interesses britânicos. Todavia a Inglaterra, já em 1890, ameaçou o nosso país através de um Ultimato que iria até às últimas consequêncis: caso Portugal não aceitasse o seu ambicioso projecto declarar-nos-ia mesmo a guerra. Então Portugal, perante esta ameaça eminente cedeu e decretou às suas forças militares, em África, para abandonar aqueles territórios. Com esta atitude o nosso país demonstrou a grande fragilidade da nossa diplomacia e da nossa colonização, facto este que fez entrar em descrédito o regime monárquico português e pelas contestações anti-regime que vieram a ter lugar em Portugal, durante a década seguinte, este acontecimento transformou-se na aurora da implantação da República, em 1910.


Por Filipe Rosa - 9.º A , 2007/2008


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A GRANDE CRISE ECONÓMICA AMERICANA


Por João Pedro Salvado


A matéria programática que mais gostei de estudar neste segundo Período foi a Crise Económica Americana. E isto porque o que mais me espantou foi o facto da Bolsa de Valores de Nova Yorque ter entrado abruptamente em ruptura, depois de vários anos em alta. Foi o ano fatídico de 1929. Após cerca de sete anos de grande prosperidade económica tal foi o optimismo dos investidores que não puderam prever a eventualidade de uma potencial quebra do sistema financeiro. E ela aconteceu para mal de toda a economia do país. As opiniões dos analistas poderão divergir em certas abordagens sobre esta Crise. Mas aquilo que eu concluí foi que a origem deste “crasch” terá estado na super-produção no sector automóvel. Muitas das fábricas que haviam apostado no famigerado mercado de acções entraram em falência de um momento para o outro e o suporte financeiro dos bancos não foi suficiente para suster o fluxo de capitais que, numa tal quinta-feira negra daquele ano, teve de proclamar a bancarrota da economia. As consequências foram de tal maneira catastróficas que não houve nenhum sector da economia que tenha sobrevivido à crise. Entre 1930 e 1934 viveram-se anos de desemprego, de miséria, de fome e de instabilidade de toda a ordem – não só nos Estados Unidos como em todo o mundo capitalista – que se chamou a esse tempo a «Grande Depressão». A situação permitiu que se visse “a luz ao fundo do túnel” quando, a partir desse ano, começaram a aparecer os resultados das políticas intervencionistas do Presidente Franklin Roosevelt que, ganhara as eleições em 1932, prometendo tudo fazer para a solução da Grande Crise. E, de facto, as medidas por si criadas – conhecidas com o nome de New Deal – tiveram um tal sucesso que a economia evoluiu de tal ordem que por volta de 1936 já atingira os níveis elevados de dez anos antes aquando do apogeu da “era de prosperidade”. E os americanos não esqueceram o êxito de Roosevelt pois voltaram a elegê-lo por mais duas vezes sucessivamente. O mesmo não aconteceu com outras nações do mundo capitalista que apesar de seguirem o exemplo Rooseveltiano apenas conseguiram ligeiras melhorias até finais dos Anos Trinta.


João Salvado, n.º 17 Aluno do 9.º Ano


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CRÓNICA DE UMA VISITA DE ESTUDO AO MUNDO BARROCO


«CRÓNICA A TRÊS MÃOS»


Dia solarengo este quatro de Março de 2008. Tranquilos momentos nos preenchiam os sempre enfadonhos tempos de espera. Alguns colegas nossos teimavam em ser mais uma vez a tal excepção à regra de todas as tradicionais Visitas de Estudo. Por fim lá foram chegando junto ao machibombo da Barraqueiro por cuja porta nos fizeram entrar apressadamente os nossos bacanos professores. Passava já um pouco das nove e meia daquela manhã diferente para todos nós. E bute que se faz tarde! Estavam na calha de partida as duas Turmas H, do décimo e décimo primeiro Anos, respectivamente, do Bartolas. Contra todas as expectativas, ninguém faltou à chamada. Pois cá a malta não brinca em serviço! O objectivo era só um: todos sabíamos que estávamos de visita a um espaço museológico lisboeta que dá pelo nome de São Roque. Este mesmo Espaço que o nosso paciente professor de História nos informou ter sido em tempos idos a sede da Companhia de Jesus, onde pontificava – em fama e sabedoria quanto baste – o nosso escritor maior da língua pátria, António Vieira. Nós os três – nomeados com toda a pompa e circunstância para este cargo – cá iniciámos a nossa tarefa de descontraída observação de tudo aquilo que nos parecesse interessante e digno de registo. Como não podia deixar de ser o nosso Coordenador de Viagem – professor Assis – toca de aproveitar a oportunidade de toda a gente dizer amem e, vejam lá só, pôs-nos a recitar e a cantar uns textos que nos haviam sido distribuídos previamente. Dizia-se à boca pequena que era para apresentarmos durante a Visita. O professor Assis pôs-nos a cantar uma canção, feita por ele mesmo, ao jesuíta Francisco Xavier. À parte algumas pífias costumeiras, que teimavam em arranhar os nossos sensíveis tímpanos, somos de opinião que até não estava a sair mal o ensaio. O engraçado aconteceu a seguir. A nossa airosa e benemérita professora Antónia, de Português, acolitada pela sempre presente professora de Inglês, Maria do Céu, tentaram adestrar os nossos dois colegas Mónica e Carlos para lerem em bom som alguns extractos de um tal sermão de Sto. António “aos Peixes”. E logo a quem? Risos para aqui, mímicas para ali, os dois lá se desenrascaram como puderam. O pior foram aquelas expressões de latinório trivial, de que se servia por vezes aquele autor, ou não fosse ele precisamente o tal Vieira de que falámos acima. E claro, nós, herdeiros exímios de uma literacia de trazer por casa, é que pagamos as favas! Com isto tudo nem demos pelo andar da viagem. Tinham batido as dez horas e já estava-mos a entrar na cidade de Lisboa , enquanto o nosso imperturbável machibombo se ia encaminhando para a Rua da Misericórdia, onde ficava a conhecidíssima Igreja de São Roque e sua zona envolvente, sita no turístico e popular Bairro Alto. Fomos familiarmente recebidos pelo digníssimo e sapiente Guia da Visita, Dr. Meira. Com toda a cordialidade e mestria fez-nos deambular pelas áreas principais da espectacular Igreja, chamando-nos à atenção para as particularidades artísticas barrocas mais salientes: as capelas, as estátuas com as suas singularidades sui generis, os ornamentos, os mármores, as inscrições, as gravuras, as pinturas. Apontou-nos o famoso Coro, lá no alto, quase completamente ocupado pelo Órgão, de talha dourada rococó flamejante. Soubemos, ali na hora – para nosso espanto e admiração – que o nosso prof já muitas vezes lá exibiu os seus dotes de organista. Como este mundo é pequeno! Ao lado, a meia altura das paredes do templo, vêem-se destacados os púlpitos donde, num deles, várias vezes pregou o ilustre Pe. António Vieira. Na frontaria de uma das Capelas e depois do nosso Guia ter dissertado largos minutos sobre as virtualidades oratórias do egrégio Jesuíta, o nosso genuino e competente dueto – Carlos & Mónica – foram chamados a ler os “excertos Vireirinos” do sermão de Sto António aos Peixes que haviam preparado. Não se rogaram os nossos colegas e, como já era esperado, fizeram-no com bastante agrado de todos. Terminada esta actuação houve lugar a um momento de cantoria por parte de todo o Grupo presente, tendo o nosso professor Assis dirigido, com razoável competência, a interpretação do “V Império do Mundo”. Texto famoso de autoria literária de Fernando Pessoa, em A Mensagem. Seguidamente continuámos o nosso périplo guiado, pelo lado poente da Igreja, onde tivemos oportunidade de admirar algumas Capelas de um barroco fulgurante – o Joanino. Todos gostámos de admirar diversas obras de arte que nunca pensámos que existiam no nosso País. Os materiais ali patentes vão desde a talha dourada, estátuas com vestes de ouro e prata, bordados em relevo, objectos de culto, relicários, tocheiros serpenteados em metal prateado e numa das capelas milhares de rostos de anjos esculpidos e floreados. E como destacável de todo este acervo artístico a celebérrima Capela de S. João Baptista – mandada construir em Roma pelo rei D. João V, em 1742 – mais tarde desmontada e colocada aqui neste magestoso templo. A última parte da visita estava destinada à espaçosa Sacristia da Igreja, onde tivemos oportunidade de visualizar uma sequência de pinturas em Exposição, sobre a vida do ilustre jesuíta São Francisco Xavier – o apóstolo das Índias. Foi bom termos visto de perto estas pinturas patentes em fileiras, nas paredes envolventes da Sacristia. Estas pinturas, de autoria do exímio pintor André Reinoso constituem, no seu conjunto, uma das mais belas e características biografias sacras. Pois foi aqui neste ambiente perfeitamente enquadrado que todos nós, mais uma vez dirigidos pelo nosso professor-maestro Assis, cantámos animadamente a canção Francisco Xavier que, para terminar em beleza, saiu bastante bem. Concluída a visita, foi distribuída pela directoria do Museu, a todos os alunos e professores, um exemplar da revista do mesmo, com as explicações essenciais de toda a área museológica barroca. Quanto ao Dr. Meira queremos expressar-lhe o nosso muito obrigado pelo empenho, paciência e saber com que orientou toda a visita. Batiam as onze horas e trinta minutos na torre de São Roque quando reparámos que nos estávamos a dirigir para o Miradouro de São Pedro de Alcântara para desfrutarmos uma fabulosa vista sobre a Baixa de Lisboa e descansarmos um pouco, antes de regressarmos de novo ao nosso Colégio. Pondo de parte o incómodo vento que se sentia neste Miradouro, houve mesmo assim tempo de muita gente tirar fotos para recordação e, qual o nosso espanto, viemos a saber que haveria lugar oportunamente para atribuição de prémios às três melhores fotos. Foi um bom incentivo para esquecermos a fria aragem que ali encontrámos. São estas pequenas coisas que fazem a grande diferença de convivência entre grupos heterogéneos, como este. Estavam os ponteiros mordendo as doze horas quando avistámos à distância o já familiar machibombo – hora aprazada com o nosso sociável e bonacheirão motorista que, em questão de pontualidade, não deve meças a ninguém. Para ele nos dirigimos e, tomando os nossos lugares, nos sentámos tecendo entre todos nós os últimos comentários e impressões acerca desta tão agradável visita. Ainda não eram treze horas quando chegámos finalmente ao nosso bom porto: o Colégio Bartolomeu Dias. Aqui fica, à laia de memória vindoura, esta Crónica a três mãos esperando que desta experiência tenha saído um maior e melhor enriquecimento de todos.


Cátia Cardoso,n.º 7 , 11.º H Michael Rita, n.º 11, 11.º H Rita Conceição, n.º 14, 11.º H


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COMENTÁRIO CRÍTICO AO FILME LADY HAWCK
  
Ana Maria Resende, nº 2,10º H
  
 
Lady Hawck, a mulher falcão, é um filme de grande aventura que me pareceu muito interessante, em variados aspectos.
O pano de fundo do mesmo é o Período a que convencionalmente se chama de Idade Média, facto este que se relaciona com a matéria que temos estudado nas aulas de História, desde o início do segundo Período.
Revelou-se uma forma de mais nitidamente visualizarmos os assuntos aprendidos durante as aulas.
Assim, tornaram-se bem nítidos os aspectos sociais, culturais, religiosos e artísticos da referida Idade Medieval.
O enredo do filme acabou por ser também bastante cativante. Trata-se de um casal que se via impedido de viver livremente o seu amor, devido a uma terrível maldição lançada sobre ele pelo bispo de Áquila. O casal, Étienne Navarre e Isabeau d' Anjou, não podia ter contacto físico. O que acontecia era que, de dia, ela se transformava em falcão e ele, de noite, em lobo.
Esta narração faz evoluir, ao longo do filme, aquilo que podemos apelidar de magia típica dos tempos obscuros da Idade Média.
Acabei por gostar de ver como, no final, o bem prevalece sobre o mal e é, finalmente, quebrado o feitiço, depois de uma luta tremenda travada primeiramente entre Navarre e o representante do Aquilense, o qual, de igual modo se havia enamorado, à sua maneira, da mesma mulher.
A luta acabou com a confrontação inevitável entre o próprio bispo e Navarre que, com a ajuda preciosa de Philipe Gaston (o Rato) - personagem que contribuiu para o enriquecimento do enredo e lhe adicionou um divertido toque de humor - venceu sem apelo nem agravo.
A meu ver, numa perspectiva crítica, as lutas travadas foram um pouco exageradas mas tal facto pode ser explicado por o filme ser já um pouco antigo ( lançado em 1985) e nesta altura os efeitos especiais não estavam tão avançados como hoje em dia.
Em suma, acho que foi um programa interessante, instrutivo e que agradou a toda a Turma, não só pelo romance como também pela fantasia envolventes desta estória.
 
Ana Resende
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NO REINO DE NEPTUNO


 


 


Por


Ana Almeida, 10º H


 


 


No Reino de Neptuno,


conhecido como Roma,


habita todo um povo


chamado romano


onde a paz reina


e o mar se banha.


 


No Reino de Neptuno,


no Mediterrâneo largo


os romanos convivem,


suas leis cumprem


e se as infringem


castigados ficam.


 


No Reino de Neptuno,


os povos de Roma


criaram sua realeza,


e com bom critério


viveram sua república


em grandeza e império.


 


No Reino de Neptuno


nem todos os dias


eram dias propícios,


havia-os diferentes


conforme as gentes


por vezes malévolos.


 


No Reino de Neptuno


sulcando as ondas


pela força das galés


conquistaram mundo


vencendo tempestades


e todas as marés.


 


 


Ana Almeida


In Os meus devaneios


 


 


 


 


Escola Pioneira, em


www.pioneira.no.comunidades.net


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 



 


 


 


 


NO REINO DE NEPTUNO


 


 


Por


Vanessa Mendes, 10º H


 


 


 


Neptuno, dos Oceanos e das águas,


dos mareantes deus poderoso,


que tanto libertas as mágoas


como dás vida ao sol radioso.


 


Reino imenso, o de Neptuno,


sempre muito especial,


onde até o tempo diurno


se torna mais divinal.


 


Neptuno, deus muito importante,


todo pleno de qualidades,


faz inveja em terras distantes


às outras divindades.


 


Levam o azul as tempestades


pelas entranhas do mar


e os pescadores com veleidades


até os patos ouvem grasnar.


 


Por todo o céu cinzento


grandes nuvens cavalgam


Neptuno de seu invento


cria frescas pastagens.


 


Vê Júpiter relampejar,


Neptuno ciumento,


não pode na terra reinar


nem no Firmamento.


 


 


 


Vanessa Mendes


In Lampejos de grandezas


 


 


 


Escola Pioneira, em


www.pioneira.no.comunidades.net


 


 


 



 


 


 


NO REINO DE NEPTUNO


 


Por


Inês Santos


 


No Romano panteão


cada divindade uma função


de elevada importância


para a sua própria Nação.


 


Júpiter, deus universal,


e Neptuno dos Oceanos


dominavam à sua maneira


a cidade de Roma e a terra inteira.


 


No Reino de Neptuno,


no mar Mediterrâneo apenas,


três divas se banhavam:


Roma, Cartago e Atenas.


 


Mas em dias de tempestade


o céu, sem deixar de ser belo,


lançava raios, chuva e vento,


que até os astros encantavam.


 


No Reino de Neptuno


os romanautas afastavam


os senhores indesejados


daquele mar sem fundo.


 


No Reino de Neptuno


na Realeza e na República


as leis se aplicavam


por todo o seu império.


 


E as nuvens do céu escuro


entre lágrimas espreitavam


que os deuses amainassem


o seu amor desolado.


 


 


Inês Santos


In O meu Mar


 


 


Escola Pioneira, em


www.pioneira.no.comunidades.net


 


 


 


 


 


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